A fatura de eletricidade é uma das despesas domésticas sobre as quais as famílias têm mais controlo, mas também uma das menos analisadas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o agregado familiar português gasta em média 840 euros por ano em eletricidade — um valor que pode ser reduzido em 20% a 35% com medidas que não implicam qualquer investimento significativo. O primeiro passo é entender o que está a consumir e quando.

A potência contratada é um custo fixo que muitas famílias pagam a mais. Cada kilowatt de potência contratada acrescenta cerca de 5 euros mensais à fatura, independentemente do consumo real. Uma família com 10,35 kVA contratados que raramente utiliza mais de 6,9 kVA em simultâneo está a pagar um excedente de 17 a 18 euros por mês — mais de 200 euros por ano. A redução da potência contratada é gratuita e pode ser feita online junto do comercializador.

A escolha do ciclo horário certo pode igualmente gerar poupanças relevantes. Para famílias que conseguem deslocar parte do consumo para horários de vazio — tipicamente entre as 22h e as 8h em dias úteis e ao longo do fim de semana — o ciclo bi-horário ou tri-horário pode ser mais vantajoso que o ciclo simples. Os eletrodomésticos com temporizador, como a máquina de lavar e a de lavar loiça, são ideais para este ajuste. Um consumidor tipo que desloque 40% do seu consumo para vazio pode poupar entre 80 e 120 euros anuais.

O standby dos equipamentos eletrónicos é uma das fontes de consumo mais subestimadas. Televisores, consolas de jogos, microondas com relógio, carregadores deixados na tomada e equipamentos de som podem representar coletivamente 10% a 15% do consumo total de uma habitação. Instalar uma régua de tomadas com interruptor geral para o conjunto de equipamentos de entretenimento e desligá-la quando não estão em uso pode poupar 50 a 80 euros por ano.

O aquecimento e o arrefecimento do espaço representam tipicamente 40% a 50% do consumo energético total de uma habitação portuguesa. Utilizar termostatos programáveis para evitar aquecimento desnecessário durante as ausências, manter as portas dos quartos não aquecidos fechadas e garantir que as janelas estão bem vedadas são medidas de custo zero. Um ar condicionado inverter moderno com classe A+++ pode consumir metade do que um aparelho de há dez anos.

Comparar as ofertas do mercado livre com o contrato atual deveria ser uma prática anual, não uma exceção. O mercado de energia em Portugal evolui constantemente, com novos comercializadores a entrar e novas promoções a surgir. Utilizar o comparador oficial da ERSE não demora mais de dez minutos e pode revelar poupanças imediatas. A mudança de comercializador é gratuita e não implica qualquer interrupção do fornecimento.

“A maioria das famílias portuguesas está a pagar mais do que deveria pela eletricidade, não por falta de meios para poupar, mas por falta de informação sobre onde estão as oportunidades concretas.”

— Dr. Tiago Moreira, economista, Centro de Estudos de Economia da Energia, FEUC

Pontos-chave

  • Reduzir a potência contratada ao mínimo necessário pode poupar mais de 200 euros por ano
  • Deslocar 40% do consumo para horário de vazio gera poupanças de 80 a 120 euros anuais
  • Eliminar o standby dos eletrónicos pode valer 50 a 80 euros por ano de poupança
  • Termostatos programáveis e vedação de janelas reduzem em 15%-20% os custos de climatização
  • Comparar tarifas anualmente no comparador da ERSE é gratuito e pode revelar poupanças imediatas

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