Os Certificados de Aforro são um instrumento de poupança com uma história longa em Portugal e uma base de investidores muito fiel. A série F, vigente desde 2023, indexa a remuneração à taxa Euribor a 3 meses acrescida de um spread que varia entre 0% e 1% consoante o prazo de detenção, com uma taxa mínima garantida de 0% e uma taxa máxima de 3,5%. Em 2026, com a Euribor a 3 meses a situar-se em torno de 2,3% após as sucessivas descidas do BCE iniciadas em 2024, a remuneração efetiva dos Certificados de Aforro ronda os 3,0% a 3,3% para quem os detém há mais de dois anos.
Este nível de remuneração coloca os Certificados de Aforro numa posição competitiva face aos depósitos a prazo da maioria dos bancos portugueses, que continuam a oferecer taxas entre 2,0% e 2,8% para prazos de 6 a 12 meses. A garantia do Estado, a isenção do risco de contraparte e a possibilidade de resgate antecipado sem penalização são vantagens adicionais que justificam a popularidade do instrumento junto de investidores conservadores.
No entanto, a comparação deve ser alargada. Os Certificados de Tesouro Poupança Mais (CTPM) da série em vigor oferecem remunerações ligeiramente superiores para prazos mais longos — até 3,8% ao ano para o quinto ano de detenção — mas imobilizam o capital durante esse período. As obrigações do Tesouro português de curto prazo, transacionáveis em mercado secundário, podem oferecer yields de 3,2% a 3,5% com a vantagem de alguma liquidez.
Um aspeto frequentemente subestimado na análise dos Certificados de Aforro é a sua tributação. Os rendimentos gerados são sujeitos a IRS à taxa liberatória de 28%, a menos que o contribuinte opte pelo englobamento, o que pode ser vantajoso para quem se encontra em escalões de rendimento coletável inferiores. Para uma família com rendimento coletável abaixo dos 15.000 euros anuais, o englobamento pode reduzir a carga fiscal sobre os juros de 28% para apenas 13,25%, melhorando significativamente o retorno líquido.
Do ponto de vista da gestão doméstica do orçamento familiar, os Certificados de Aforro servem bem o propósito de fundo de emergência ou poupança de médio prazo. A combinação de liquidez razoável, capital garantido pelo Estado e remuneração acima da inflação atual — que em Portugal se situa em torno de 2,1% — garante pelo menos a preservação do poder de compra.
Em 2026, o contexto macroeconómico favorece instrumentos de taxa variável indexada à Euribor enquanto o mercado antecipa novas descidas de taxas pelo BCE. Contudo, se as descidas forem mais rápidas do que o antecipado, a remuneração dos Certificados de Aforro cairá em consonância. Quem prefere certeza sobre o retorno pode considerar os CTPM, que oferecem escalões de remuneração crescentes por ano de detenção e têm uma componente de taxa fixa.
“Os Certificados de Aforro continuam a ser o instrumento de poupança mais democrático e transparente disponível em Portugal. Não enriquecem ninguém, mas cumprem a função essencial de proteger as poupanças da inflação sem exigir conhecimentos financeiros.”
— Prof. António Figueiredo, Professor de Finanças Pessoais, Universidade Católica Portuguesa
Pontos-chave
- A remuneração atual dos Certificados de Aforro ronda 3,0%-3,3% para detentores de mais de dois anos
- Os depósitos a prazo dos bancos portugueses oferecem 2,0%-2,8% — menos competitivos em geral
- Os CTPM oferecem até 3,8% ao ano no quinto ano, mas imobilizam capital sem possibilidade de resgate
- O englobamento fiscal pode baixar a tributação de 28% para 13,25% para famílias de baixo rendimento
- Em contexto de descidas de Euribor, os instrumentos de taxa fixa ganham atratividade relativa
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